ANTES MADRINHAS, AGORA MÃES - Por Tays e Lúcia

Nos conhecemos em Porto Alegre mesmo, começamos a namorar e três anos  depois casamos no civil. Nossos planos sempre foram de após uns dois anos casadas fazer fertilização pois ambas tinham vontade de ser mães. 
Alguns meses após nosso casamento, estávamos navegando na internet e nos deparamos com o programa de "apadrinhamento afetivo". Lemos bastante sobre o assunto e decidimos nos inscrever no programa, já que não pretendíamos ser mães logo. Passamos por um mês de reuniões e entrevistas, fizemos um portfólio nosso nos apresentando e uma criança com a ajuda dos técnicos  nos escolheria como madrinhas. Dia 24 de agosto de 2016 soubemos que nosso afilhado se chamava Samuel, que tinha 8 anos e nos mandou uma foto dele e duas cartinhas. Na hora nos arrepiamos todas... e voltamos para casa muito ansiosas para conhecê-lo.
Na semana seguinte fomos no abrigo conhecê-lo. Quando nos aproximamos da casa avistamos ele grudado no portão esperando. Nos avistou e entrou correndo pra  casa com vergonha. Passamos uma hora com ele, ele bem tímido respondia apenas o que perguntavamos. Soubemos nesse dia que na semana seguinte ele faria uma cirurgia, adenoides e tiraria as amígdalas. Fomos no hospital ver ele mas no dia seguinte retornaria ao abrigo e ficaria 15 dias de repouso sem ir na escola. Pensamos na hora que nós adultas quando ficamos doentes ja ficamos mais carentes,  o que dirá uma criança sem poder ter um colo só pra ela... então íamos direto nesses 15 dias ao abrigo cuidar do Samuel como podíamos.  Levamos iogurtes,  flans, o que fosse pastoso que ele pudesse comer. 
    Nossa intenção como madrinhas era inicialmente ver o ou a afilhada a cada final de semana ou 15 dias... mal sabíamos que após esses dias "intensivos" cuidando dele não conseguíamos mais ficar muito tempo longe. Íamos ao abrigo umas 4 vezes na semana. Iamos ver ele na ginástica também. 
    Em novembro teve audiência concentrada e a juíza assinou o documento do apadrinhamento e pudemos começar a pegar o Samuel para passar os finais de semanas na nossa casa. No segundo final de semana que levamos ele pro abrigo de volta, sentimos um vazio quando voltamos pra casa... como se faltasse algo em nosso lar... nos demos conta que estava difícil ficarmos longe do Samuel... Após muita conversa decidimos entrar com pedido de adoção mas lógico, antes perguntando se também seria a vontade dele ser nosso filho. 

    Entramos com o pedido em dezembro de 2016. Passamos boa parte das férias dele juntos, viajamos, fizemos inúmeras coisas que só fortaleceu nosso vínculo de mães de filho. E em 07/04/2017 recebemos nosso maior presente... a noticia que na audiência de destituição do Samuel no dia 04/04 o juiz assinou o documento nos dando a guarda provisória dele Nossos planos antes de conhecer o Samuel jamais  foi de adotar uma criança e sim termos um filho biológico, mas esse amor por ele foi crescendo de tal forma que nem pensamos mais em fertilização pois esse amor incondicional que temos por ele preencheu 100% nossos desejos de sermos mães..Enfim, nossa família agora está completa!