Amor que vai além de laços sanguíneos

Passar pelo processo de adoção pode ficar mais fácil e esclarecedor quando existe a possibilidade da troca de informações entre pessoas que têm o mesmo desejo. Foi pensando nisso que a produtora cultural Elaine Loures decidiu criar o Grupo de Apoio à Adoção (GAA) - Amor pra toda vida - em Sete Lagoas.
Por estar passando pelo processo, Elaine percebeu a necessidade de um apoio e compartilhamento de informações sobre o assunto. “Desde nova eu sempre disse que gostaria de ter três filhos e que um deles fosse adotado, então essa vontade sempre cresceu comigo e foi reforçada quando descobri que não poderia ter filho. Acho que Deus já estava me preparando para essa causa linda que é a adoção e, junto ao meu marido, estamos passando pelo processo. Em uma das etapas, que é o curso preparatório da adoção, houve a manifestação sobre o desejo de ter um grupo como esse, mas ninguém ainda tinha tomado a iniciativa, então, com o apoio da equipe da Vara da Infância e Juventude e de outras pessoas que estavam no curso, criei o GAA”, conta. 
De acordo com a psicóloga judiciária do Juizado da Infância e Juventute (JIJ) - comarca de Sete Lagoas, Simone Sany Silva, a importância do GAA é imensurável. “A possibilidade de estar em contato com outras pessoas que passam por experiências semelhantes facilita a livre expressão de sentimentos, o alívio da angustia e, consequentemente, uma melhor elaboração de frustrações ou perdas. O GAA é ainda um canal importantíssimo na disseminação de uma nova cultura da adoção que prioriza o direito das crianças e dos adolescentes de viverem em família, independentemente da idade, condição de saúde, raça ou etnia destes. Além disso, os grupos de apoio possuem representatividade política e social através da Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção (ANGAAD) com ganhos e avanços consideráveis em relação ao tema. Assim, Sete Lagoas passa a somar forças, em âmbito nacional, na luta pela garantia da convivência familiar das crianças e adolescentes”, comenta a psicóloga.
Para o casal Alessandra e Júlio Almeida, que também está passando pelo processo de adoção, o grupo tem sido fundamental. “Para nós, essa é uma grande oportunidade de trocar experiências, ansiedades, dúvidas e orientações para ajudar a esperar a chegada tão sonhada do nosso filho ou filha. Tem sido uma experiência rica e feliz, porque estava tudo muito parado e longe e agora tudo parece ter vida e isso tudo nos impulsiona a lutar ainda mais pela chegada dos nossos filhos”, comenta Alessandra.
Já existem mais de 150 GAAs distribuídos no Brasil e há também grupos virtuais que realizam o trabalho de suporte às famílias por adoção. Para que a troca de informações não ficasse limitada apenas às reuniões presenciais, Elaine também administra o grupo virtual para as pessoas que já estão passando pelo processo. “Além do grupo do Whatsapp, em que compartilhamos os anseios e dúvidas e também utilizamos para organizar os nossos encontros, também temos uma página no Facebook, para que as pessoas possam saber mais sobre o assunto e para que, de certa forma, possamos incentivar a adoção. Essa divulgação é fundamental para que a população se mobilize e entenda que isso é uma responsabilidade de todos. Então não temos o grupo apenas para nós, que queremos ou somos pais e mães adotivos, é também para uma conscientização da sociedade”, diz.  
PARCERIAS
O grupo é aberto a todos que desejam ter um filho adotivo e necessitam de algum suporte. Segundo Elaine, o GAA já tem parcerias que ajudam nesse sentido. “Fizemos parcerias com psicólogos de Sete Lagoas,  Belo Horizonte e Contagem. Além disso, estamos fazendo parceria com as faculdades da cidade, para oferecer um espaço prático para os alunos na área de saúde e comunicação, por exemplo. Apesar de estarmos no início, acredito que já estamos caminhando bem”, comenta a psicóloga.
Além desse tipo de parceria, o GAA já conta com voluntários que ajudam nas reuniões. “Durante as reuniões, alguns pais levam os filhos e os nossos voluntários ficam responsáveis por olhar as crianças em outra sala. Estamos abertos para qualquer tipo de ajuda, tanto aqueles que desejam nos ajudar ou até mesmo dar uma palestra, seja o profissional de que área for. Além disso, vamos precisar de um espaço, já que no primeiro encontro participaram 14 pessoas e no segundo, contamos com 30 participantes. Como ficamos em um escritório, não temos muito espaço e, se aumentar a quantidade de pessoas, não teremos mais condições de receber todo mundo, então se surgir algum parceiro com um local adequado, a ajuda será sempre bem vinda”, comenta. Para Simone, além de tudo, o grupo ajuda a quebrar paradigmas e preconceitos da sociedade. “A iniciativa do grupo de apoio vem ao encontro do objetivo do curso e do processo de adoção de forma geral, qual seja o de promover reflexão sobre as próprias motivações para ser pai ou mãe, os mitos em relação à adoção, a superação de uma cultura ainda preconceituosa do nosso país bem como esclarecimentos dos aspectos legais, entre outros. Para a equipe do JIJ é uma satisfação acompanhar a fundação desse grupo e poder contribuir de alguma forma”, finaliza.
Para quem desejar conhecer, ajudar ou participar do grupo -  contato: (31) 999130-2791