Adoção de uma criança maior...

Queridos, a adoção de uma criança maior e/ou adolescente é um empreendimento trabalhoso a longo prazo com algumas peculiaridades quanto ao relacionamento, mais especificamente quando se refere ao contato físico, a troca de carícias, como o cheiro,  o abraço, o cafuné, o tocar o corpo desse filho, tão querido, tão desejado e amado. Algumas crianças e adolescentes são muito reticentes ao toque físico, isto se explica pelo sofrimento que passaram,  como abuso sexual, violência física, etc. Imaginem o que é você querer abraçar seu filho, numa expressão de acolhida e entender que esse abraço não é oportuno? Você não poder beijar seu filho no rosto e apertá-lo,  como o faz com os seus sobrinhos? Não é fácil! Um pai adotivo talvez espere anos para poder quebrar essa barreira. E terá que entender que não se trata de uma correspondência mau sucedida,  mas de um medo do filho que precisa ser trabalhado ao longo do tempo. PACIÊNCIA e muita sabedoria nas atitudes e expressões de afeto são necessários para esse pequeno detalhe,  entre tantos outros pormenores que compõem a lista de dificuldades que um pai adotivo de crianças maiores pode obter. Eu tenho muito cuidado nesse aspecto: nunca entro no quarto de meu filho, sem bater à porta. Jamais me sento à sua cama, se precisar conversar, por exemplo, sem pedir permissão. Só dou um abraço,  se ele me autorizar. Eu pergunto mesmo: posso te dar um abraço? Gente,  vocês não imaginam como é difícil, eu sempre fui o tio que que abraça, que cheira, que beija e ainda sou assim com os meus sobrinhos. Por que estou falando desse assunto? Porque soube, por uma Amiga que é Assistente Social, que um adolescente adotado recente, fugiu de casa. Ele apareceu depois das buscas e disse que tinha sido abusado. O pai foi PRESO e depois,  claro,  de ser ouvido e o caso esclarecido, foi solto! O adolescente queria muito sair do Abrigo e foi com um pai solteiro. Depois desistiu, não se acostumou com a nova vida, depois de anos e anos de acolhida. Sem maturidade e no desejo de voltar ao seu   Estado - a adoção foi interestadual - ele mentiu. Quando foi ouvido, uma pessoa sensível compreendeu que não se tratava de abuso, mas de demonstração de afeto de um pai que exprimia na fala e nos gestos o carinho e o amor que guardara. Hoje sou pai de um adolescente de 16 anos e tomo todo cuidado com minhas demonstrações de afeto. Não lembro de um dia que meu filho não me pergunte se o amo. E sempre respondo que o Amo. Mas como sou solteiro e já tenho que lidar com tantos outros preconceitos com respeito à Adoção,  tenho todo o cuidado quando as demonstrações afetivas migram para o físico,  como o tocar ao corpo, abraçar, beijar. A adoção é uma entrega, também é sacrifício. Um empreendimento que, como qualquer outro, exige planejamento,  estratégias, atenção e alguns cuidados especiais.