Você adotaria uma criança?


Em tempos de tantas discussões quentes sobre pedofilia, homossexualismo, aborto e temas periféricos a esses, é muito fácil não haver lembrança das crianças que estão na fila de espera para serem adotadas. Lembrar-nos delas é importante, afinal, muitas poderão, um dia, serem adotadas, por exemplo, por casais fora do modelo bíblico; e isso é preocupante. Por essas e outras razões, adoção tem a ver com todos os cristãos, além do que, é assunto bíblico. A adoção é mencionada no sentido jurídico – “defendei o direito do ÓRFÃO, pleiteai as causas das viúvas” (Isaías 1.17) – e no sentido espiritual – “e nos predestinou para si mesmo, segundo a boa determinação de sua vontade, para sermos filhos ADOTIVOS por meio de Jesus Cristo” (Efésios 1,5). Muitas são as razões para adotarmos uma criança.
A segunda razão que poderia nos levar a adotar uma criança é que ela teria o melhor ambiente para conhecer a Deus. Antes vê-la crescer segundo os preceitos bíblicos do que em qualquer outro lugar. A terceira razão para adotarmos também está ligada à Palavra de Deus. A adoção mudou a nossa história e agora temos a obrigação de mudar a história de muitas outras pessoas, inclusive, as crianças. Deus nos adotou por meio de Jesus Cristo – “Mas a todos que o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes a prerrogativa de se tornarem filhos de Deus” (João 1.12) – então, o mínimo que podemos fazer é adotar outra pessoa.
A Igreja Batista da lagoinha possui um ministério que cuida justamente desse tema: Ministério Adotar. Nele, casais são acompanhados, desde quando começam a sonhar em adotar uma criança e precisam de direcionamento para passarem por todo o processo, até quando adotam as crianças. Atualmente, são acompanhados 160 casais e cerca de 50 crianças em guarda provisória e definitiva. O ministério ajuda ainda os casais a quebrarem paradigmas importantes que podem impedi-los de adotar uma criança.
Além da orientação jurídica sobre o processo legal de adoção, a líder do ministério, Mônica Almeida, e sua equipe compartilham o que a Bíblia diz sobre esse gesto de amor. “Em primeiro lugar procuro saber o motivo que leva o casal a adotar; qual o grau de entendimento que eles têm sobre a adoção. A partir daí, explico a influência espiritual da adoção – que primeiramente eles foram adotados por Deus, por isso, adotar uma criança é uma atitude que está no coração de Deus”, explica Mônica. Ela conta que desde que o ministério foi fundado, há três anos, ela testemunha milagres e o cuidado de Deus tanto com os órfãos quanto com os pais.
O casal Alessandra e Roney conseguiu a guarda por tempo indeterminado da pequena M. P., quando ela ainda tinha dias de vida. Ela foi deixada pelo pai, morador de rua, com a mãe de Alessandra, que se comprometeu a cuidar da criança enquanto ele procurava emprego. Entretanto, pouco tempo depois, o Conselho Tutelar teve que levar M. P. para um abrigo. Tendo em vista que o bebê era portador do vírus HIV, ficou de fora do perfil de crianças a serem adotadas. “Alegamos à justiça que não havia ninguém interessado pela guarda dela, somente nós, então, graças a Deus, o Conselho Tutelar compreendeu isso e nos concedeu a guarda. Hoje, para a honra e glória de Deus, os exames não detectam mais o vírus. Ela está curada! O processo de adoção já está no final e nossa filha é uma criança amada, que já tem dois anos”, compartilha o casal que mora em Santa Luzia e é acompanhado pelo Adotar.
Outro casal acompanhado pelo Adotar, Júlia e Délvio, também conseguiu adotar duas crianças. Eles obtiveram a guarda de um casal de crianças, os irmãos V. (5 anos) e J. (6 anos). “Somos uma família feliz, pois nos completamos. Queríamos ter filhos e as crianças queriam ter pais. Damos e recebemos muito amor. Já temos intimidade e cumplicidade de pais e filhos, mesmo sem os laços de sangue”, disse o casal. O desejo de adotar surgiu depois que Júlia teve um aborto espontâneo. Ela e seu esposo, após alguns meses de recuperação do susto, entraram na fila de espera do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), e se empenharam para conseguir concretizar o sonho. Júlia conta que, enquanto estavam em processo, eles receberam um convite para conhecer um casal de irmãos que estava fora do “perfil solicitado”, mas que os deixou apaixonados. Júlia disse “fora do perfil solicitado” porque ela e seu esposo fazem parte de um grupo de interessados em adoção, que não liga para a cor da pele nem para a idade da criança. Uma pesquisa publicada recentemente pelo CNA revela que cresceu o número de pessoas nesse grupo – de 31% em dezembro de 2010 para 40% –, e que a preferência por bebês com menos de 1 ano caiu, totalizando 16%.
O casal Daniela e Christian também faz parte desse grupo que não se importa com a cor da criança. “Sempre tive o desejo de ter uma ‘bonequinha’ para cuidar. A distinção de cor não existe para mim nem para meu esposo e nem para nossa filha biológica. Visitamos uma casa de acolhimento e vimos que ela tratou as crianças negras como irmãs, sem distinção”, conta Daniela que aguarda na fila de espera a oportunidade de adotar uma menina de até cinco anos de idade.
Por fim, Mônica destaca que a adoção não é um prêmio de consolação para quem não teve filho. “Um casal cristão deve considerar como privilégio poder adotar uma criança. Assim como Deus escolheu Maria para ser a mãe de Jesus, Deus pode escolher quem estará lendo esta matéria, para adotar uma criança de qualquer idade”, complementa o casal Renato e Mônica Almeida que possui duas filhas “adotadas”, gêmeas, Izabella e Gabriella, de 12 anos, e de Renato, 11, filho biológico.
Ministério Adotar: (31) 3429-9400 / 8793-1687 (Mônica Almeida)
E-mail: adotar@lagoinha.com / monicarca@gmail.com