Irmãos separados em abrigo, Erick é adotado 4 meses depois por padrinhos de João

Entre Erick e João, um ano e um mês de diferença. Irmãos separados em abrigos diferentes, um ano depois os meninos se reencontraram praticamente na mesma família. Os padrinhos de João, Wilson e Mayara, adotaram Erick quatro meses depois que o caçula virou filho de Giselle e Miro e juntos eles escrevem agora novos capítulos na vida dos dois.
Na verdade essa história começa um pouquinho antes da gente saber que eles iam adotar", introduz o editor de imagens Wilson Mariz de Santana, de 35 anos. À época, ele e a esposa começaram o curso para adoção do Tribunal de Justiça do Estado e lá conheceram os irmãos.
"Num certo dia, apresentaram o João e o Erick e já nos chamou muita atenção. Ficamos com os dois na cabeça", lembra Wilson. Só que o casal não concluiu o curso e seguiu pensando na dupla que tinha deixado para trás.
Ano passado, num retiro da igreja, os casais que não eram tão próximos, descobriram pela adoção uma afinidade. "O Miro comentou que precisava partilhar conosco sobre o processo de adoção. Aí que ficamos sabendo que eles iam adotar uma criança", conta Wilson. Ao perguntar o nome do filho, eles souberam na hora que se tratava do mesmo por quem tinham se apaixonado.
"E dali para frente a gente continuou uma aproximação com eles e começamos o nosso processo de adoção", complementa o editor. Na mesma época, quando João veio para os pais, Wilson foi o fotógrafo do ensaio "você era a peça que faltava". A proximidade só fez com que ali começasse a surgir uma nova família que seria coroada com a vinda de Erick.
Adotado desde agosto do ano passado, durante a catequese, João perguntou aos pais o que eram os padrinhos e se poderia chamar Wilson e Mayara. "Minha mãe pediu para mim escolher quem ia ser os meus padrinhos. Eu escolhi eles", conta o menino João Vitor Cavalcanti de Quevedo, de 12 anos.
No mesmo dia, a família de João foi convidada para contar a sua história no curso e adoção que a Vara da Infância e Juventude realiza para pais interessados em adotar. Na plateia, estavam Wilson e Mayara e lá que o casal soube que Erick ainda estava esperando uma família e também recebeu o convite para serem padrinhos de João.
"A gente sempre teve a intenção de adotar, desde quando casamos e nós podemos ter filhos biológicos, mas sempre quisemos adotar", explica a professora Mayara Pavão Ferreira Santana, de 26 anos. No ano que passou, eles decidiram que iriam se tornar pais e em setembro começaram a tentar engravidar e deram entrada no processo de adoção, o que viesse primeiro seria muito bem vindo.
"Foi quando descobrimos que o Erick ainda estava à espera. No vídeo, apareceu ele falando que queria ser juiz. Na hora viramos um para o outro... Agora ele vai ser nosso filho, estava só nos esperando", recorda Wilson.
Dada a entrada na documentação, os futuros pais ainda não podiam manifestar o desejo em adotar Erick, por recomendação da Justiça, para que a criança não crie uma expectativa. E num piquenique organizado pela Vara da Infância, João encontrou o irmão e não conseguiu segurar a novidade.
"Aí o João falou: Erick eu acho que Deus vai mandar esses pais olha, para você", repete a mãe de João, Giselle Cavalcanti Barros de Quevedo, de 41 anos.
A emoção toma conta dos quatro que hoje formam uma bela família. As lembranças fazem com que a cena se repita nos mínimos detalhes. "No coração a gente estava sem saber o que tinha acontecido com o Erick, nem a Giselle e o Miro sabiam onde ele estava. Quando fomos fazer o curso pela segunda vez é que tudo foi casando: a adoção do João, o Erick não ter uma família", explica Wilson.
Foram dois meses até sair toda papelada, quando se trata de uma adoção tardia, com crianças mais velhas, o processo pode andar muito mais rápido. Desde setembro de 2013, a Justiça tinha determinado que Erick e João ficariam em abrigos. João foi adotado dia 10 de agosto de 2016 e Erick, 13 de dezembro.
"Quando o Erick surgiu no vídeo foi só para confirmar que ele estava nos esperando, que já era o nosso filho", se emociona Wilson. O Natal já foi todo mundo junto. "A gente passou a ser uma família, trocamos anseios, experiências. A Mayara está sendo uma irmã mesmo", afirma Giselle.
Entre os meninos, não tem dificuldade em explicar: os dois continuam irmãos e os pais de um, são a segunda família do outro, já que depois das adoções, Giselle e Miro serão os padrinhos de Erick.
"A gente está bem, nos falamos pelo Whats todo dia. Irmãos nunca se separam, a gente vai ser irmão para o resto da vida", diz Erick Antony Ferreira de Santana, de 13 anos. O menino faz aniversário em abril e pelo "avançado" da idade, também não esperava que ainda fosse ganhar uma família.
"Eu não imaginava isso, eu achava que nunca seria adotado e nunca poderia ficar perto do meu irmão. Até comecei a pensar que não queria mai ser. Por que? Eu ficava com medo de ser devolvivo, já vi outras pessoas adotando e devolvendo crianças", justifica.
Para João, a felicidade transborda do sorriso para os olhos. Ele é só alegria. "É tão emocionante assim ter padrinho e meu irmão perto de mim. Isso me traz uma alegria tão forte, no fundo do meu coração, que eu todo dia penso neles", comemora.
Fonte:http://www.campograndenews.com.br/lado-b/