Diferentes mídias, diferentes abordagens!

Por se tratar de um tema delicado, pode-se dizer que a discussão sobre adoção ainda acontece de maneira tímida em todos os tipos de mídia. No caso da mídia primária, o assunto muitas vezes é omitido entre seus interlocutores pois implica em uma certa intimidade e normalmente carrega um peso de confissão, um retorno à memórias que podem ser pouco agradáveis. Como toda comunicação humana começa na mídia primária e é ela a responsável por realizar o nível de contato mais sensorial e íntimo, é inevitável que de alguma forma o assunto continue carregando características que dificultam o debate também ao longo das outras mídias.
Na mídia secundária, por exemplo, o tema acaba sendo abordado de forma rasa por jornais e revistas. Ainda há muitos pré-julgamentos envolvidos quando o assunto é adoção e defender ou expor uma posição pode acabar comprometendo um veículo, sendo assim, sua linha editorial muitas vezes fala mais alto do que o emissor por trás da informação. Não podemos afirmar que a mídia ignora o tema, mas ainda falta muito para considerarmos a cobertura como positiva.
Quando a extensão da comunicação atinge a mídia terciária, o debate ganha “voz” novamente e há um retorno da escrita conjugada ao audiovisual. A importância dessa mídia para o debate é enorme, já que ela é a única capaz de alcançar milhões de pessoas e ultrapassar barreiras de tempo e espaço.
Quando o tema adoção e casamento homossexual se unem, temos uma discussão ainda mais inflamada e todos os pontos apontados acima são potencializados. De certa forma, gera-se uma ambivalência pois o tema ainda é tratado como delicado pela mídia, porém, desperta ainda mais o interesse por parte da sociedade.
Na reportagem especial feita pelo programa Ana Maria Braga, em outubro de 2010, a apresentadora se mostra confortável ao falar do assunto, apresenta casais homossexuais que realizaram adoção e conta a história de vida dessas pessoas. Por se tratar de um programa de TV matinal, o esperado seria que o assunto simplesmente não fosse pautado, porém a apresentadora com toda sua experiência e carisma, já possui confiança e intimidade do público suficientes para falar sobre eles sem problemas. Contar uma trajetória de adoção em seu programa possui outro peso, já que na mídia terciária a apresentadora se tornou uma referencia, pois é vista como um exemplo de dona de casa e uma líder de uma classe.