Exigências de pais travam fila para adoção


Apesar de número ser pequeno, crianças que estão na fila de espera aptas para serem adotadas permanecem na fila por preferência de pretendentes por crianças de zero a 4 anos. Atualmente, em Mato Grosso do Sul, existem 150 crianças disponíveis para adoção, sendo 24 crianças em Campo Grande. Já o número de pretendentes aptos a adotar no Estado é de 281 e na Capital 29. Os pretendentes variam quanto a casais, pais solteiros e casais homoafetivos.
Conforme informações passadas pelo Núcleo de Adoção do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), não há restrições quanto ao estado civil e sexualidade da pessoa interessada na adoção. Os únicos critérios são: ser maior de 18 anos e ter uma diferença de no mínimo 16 anos, com relação à criança. Em Campo Grande, até a presente data, 30 crianças já foram adotadas e a psicóloga do Núcleo de Adoção, Naura Bernardo, afirmou que a dificuldade em zerar a lista é em virtude do perfil da criança, que muitas vezes não agrada. A maioria das crianças disponíveis têm de 9 a 16 anos e os pretendentes querem de no máximo 4 anos.
“A partir de 5 anos, já consideram a criança idosa e não há interesse. Nós preparamos no curso de adoção, que um filho pode sim chegar à casa do pretendente com 10 ou 12 anos. Eles acham que não conseguem mais educar e colocar a criança dentro dos valores da família, mas a infância e a adolescência são fases de mudança. Se até nós, que já somos adultos, mudamos e aprendemos a cada dia, porque uma criança de 8 ou 9 anos não poderia?”.
O casal Francisco Matrone, 37, professor e intérprete de libras, e Rafael Ortigoza, 25, analista de TI, afirmaram não ter tido nenhuma exigência na hora de adotar o pequeno Luiz Miguel, que foi adotado com 1 ano e 11 meses e hoje tem 3 anos. “Não tivemos nenhuma restrição. Nem quanto à idade, cor, até mesmo deficiências. Como o Francisco é intérprete de libras, abrimos para crianças surdas-mudas. E aí eu com certeza me adaptaria” afirma Rafael. Eles ficaram na fila de espera apenas uma semana e demonstram amor pelo menino, que chama os dois de “papai Fran” e “papai Rafa”.
A família sempre apoiou o casal e a adoção do Luiz e se orgulham em dizer que não houve preconceitos nem restrições em nenhuma situação. “Até na escola que ele estuda, que é rigorosamente católica, eles adaptam a lembrancinha de Dia dos Pais e Dia das Mães. Em vez de enviarem uma lembrancinha só no dia dos pais, eles fazem duas para o Luiz. E no dia das mães, enviam duas lembrancinhas também, com ícones masculinos. A gente se surpreendeu com isso” relata Francisco.
Casal aguarda há 3 meses para ‘ter’ filho
Fabiana Martins, 32, professora e Rodrigo Oliveira, 36, motorista são casados há 10 anos e estão na fila de espera da adoção há 3 meses. O motivo da adoção é por nunca terem passado pela situação da gravidez, apesar de ambos serem saudáveis. Eles não tem preferência alguma com relação a cor ou sexo, porém querem de zero a 6 meses de vida. “Queremos passar por todas as fases da criança. Resolvemos adotar mesmo se ocorrer de termos o biológico daqui um tempo. A gente não é mãe ou pai apenas gerando, e no começo houve certo impacto dos familiares, mas agora todos estão ‘grávidos’ junto com a gente. Até porque na família existem pessoas que foram adotadas, então isso é natural para todos” relata Fabiana.