Toda mãe precisa de folga dos filhos. E não tem nada de errado nisso


Aposto, aposto pra valer, que você já se viu nessa situação: Você sonha em passar algumas horas, ou dias, longe dos seus filhos, mas, no mesmo instante em que pensa isso, se arrepende, se culpa, se sente uma péssima mãe. Afinal, que mãe em sã consciência poderia querer ficar longe dos filhos? Só uma desalmada, não é mesmo?
Mas não, não é nada disso. Toda mãe, ainda mais em sã consciência, tem o direito de querer ficar longe dos filhos. Mais do que isso, tem quase que o dever mental de querer isso. E a verdade é que todas nós queremos, em um momento ou outro, com maior ou menor frequência.
Sim, tem horas que eu quero sumir de casa. Sair porta afora, pegar o carro, ir para um lugar com paz, silêncio e, de preferência, uma cama bem macia para eu me deitar e dormir por hoooooras. E isso sempre acontece naqueles dias que meus dois pequenos estão com a macaca, não param um segundo, me demandam o tempo todo e para tudo, gritam, choram, brigam um com o outro e por aí vai (nem preciso explicar, né? Vocês entendem bem disso).
E sei que não é só aqui que esse sentimento de “preciso fugir agora” aflora. Na casa das minhas melhores amigas, casa das vizinhas, casa de quem eu nem conheço isso também rola. Sim! Toda mãe sente essa vontade de ter algumas horas longe dos filhos, mas nem todas assumem. Nem todas tem coragem de confessar. E algumas não admitem isso nem para elas mesmas.
E isso tudo por quê? Porque existe uma idéia de que mãe não pode achar que a função materna cansa, suga, exaure, enche o saco muitas vezes. Mãe não pode reclamar, não pode jogar a toalha, não pode pedir arrego. Mãe tem que estar sempre pronta, sempre disposta, sempre feliz, sempre satisfeita, sempre à disposição.
Mas não é assim, minha gente. Eu, você, a moça sentada ao seu lado, aquela amiga que você não vê há tempo, enfim, toda mulher que é mãe é, antes de tudo, um ser humano. E seres humanos tem limites, tem desejos, tem necessidades.
Quando um bebê nasce, a vida de uma mulher não se resume só a ele. Claro que ele irá ocupar muuuuuiiiiiito espaço da vida dela, mas não pode, não deve, ocupar todos eles. Tem que sempre sobrar um tempinho para ela mesma, para o casal, para outras pessoas que sempre foram importantes para ela (nem que seja depois de alguns meses).
Assim, se você se culpa por querer uma folga dos filhos, pare já com isso. Já! Pare imediatamente! Você tem todo o direito de querer isso, porque cuidar de filho dá trabalho, e muito trabalho (ainda mais quando a gente quer fazer as coisas bem feitas), porque ver a sua vida mudar significativamente, de uma hora para a outra, não é das coisas mais fáceis de se encarar, e porque, principalmente, toda mulher PRECISA, MERECE, um tempo só para ela.
Gosto de dizer que os momentos que eu tenho que são só meus são aquelas pausas que eu necessito para recobrar a minha sanidade. Sim, eu sou uma pessoa que corre, faz e acontece 24h por dia (sim, até de madrugada rola expediente por aqui), assim, de vez em quando, eu preciso sumir. Preciso de uma folga dos filhos, da casa, do trabalho, das obrigações normais da vida. Preciso de um tempo só para mim, para me cuidar e para fazer o que eu gosto.
Assim, de uns meses para cá, eu voltei a me colocar em primeiro plano na minha vida. Agora, eu cuido de mim para ter forças para cuidar dos meus filhos. E quer saber? Fez uma diferença danada! Leo está muito mais tranquilo (ele estava impossível) e Caê melhorou até sua saúde. Sem contar o relacionamento a dois que também deu um bom up.
Hoje, eu me dou ao luxo de ir ao salão de beleza uma vez por semana, correr duas vezes e fazer aula de personal outras duas. Hoje, eu me dou ao luxo de sair para almoçar com amigas e jantar ou pegar um cineminha com o maridão. Eu me dou até ao luxo de passar um final de semana inteiro, descansando e curtindo, a dois, num hotel gostoso. Longe dos filhos (logo conto essa experiência aqui). E quer saber, não é porque comecei a fazer essas coisas que deixei de brincar e passear com meus filhos, de colocar os dois na cama todas as noites, de levantar todas as madrugadas para atender o Caê e me dedicar, como sempre me dediquei, a eles.
Dar uma folga para nós, mães, é importante, é necessário e ninguém tem que se culpar por querer isso. Isso é saudável. Isso faz um bem danado para nós e para eles (mente e corpo descansados funcionam bem melhores. Tem mais ânimo para tudo).
Quando as mães entenderem que não precisam se deixar totalmente em segundo plano para cuidar dos seus filhos, quando mães e filhos andarem mais lado a lado (cuido deles, mas cuido de mim também), teremos uma maternidade muito mais equilibrada, muito mais tranquila e muito mais prazerosa.
Muitas vezes, é só uma questão de mudar nossa postura e nossos hábitos (encontrar tempo na agenda para nós!). Muitas vezes, basta passar a confiar em outras pessoas para cuidar dos nossos pequenos. Não precisamos ser onipotentes e onipresentes. Precisamos sim equilibrar as coisas.
Fonte: http://www.macetesdemae.com