Adoção por Opção - Por Denise Marques



Linda história de amor contada por uma mãe que, juntamente com o esposo, decidiram tornar adoção a primeira forma criar de uma família.

"Nossa vontade sempre foi ter filhos, mas nunca sonhei ou sequer me imaginei gerando um bebe, na verdade essa ideia me assusta um pouco...
Ficamos dez anos casados e adiando a chegada do filho, ambos com medo de dizer um ao outro que não gostaríamos de gerar um filho (sim, meu marido também abominava a ideia de ver sua esposa gravida).
Ao final dos dez anos decidimos que chegara a hora de ter filho, parei com as pílulas e para meu alivio e satisfação não fiquei gravida no primeiro mês, corri ao médico e o mesmo disse que eu deveria esperar, pois meu organismo precisava “limpar” devido ao uso intenso de anticoncepcionais. Chegando em casa o que limpei foi a mente e a conversa tão adiada chegou...
Conversamos por horas sobre nossos medos e a nossa vontade de ter filhos e nosso alivio foi imediato, então saímos em busca de sites e informações sobre adoção.
Decidido, era a hora de comunicar a família, e eu disse comunicar, não consultar.
Parecia simples e foi, porém curioso, pois quando dissemos que iriamos adotar, reagiram muito bem, mas quando concluímos o assunto dizendo que não teríamos filhos biológicos por opção, reagiram instintivamente em oposição:
-Mas se tu pode engravidar, porque não vai ter um filho TEU?
As pessoas tendem a achar que filho por adoção é a única opção, somente, em casos de infertilidade, mas não é!
Os filhos adotivos não nascem da gente, mas são nossos e pronto!
Em meio a nossa busca de informações visitamos abrigos, conhecemos realidades e vimos além do que já estávamos preparados. Enchemos nossos corações de esperança e amor. Foram muitos sentimentos, mas o maior foi a sensação de egoísmo em ter pensado em gerar uma criança se haviam tantas ali na nossa frente, orando e desejando mais do que nós uma família e poderíamos completar nossas orações, juntos.
Chegamos ao Instituto Amigos de Lucas e lá nos preparamos mais ainda para a adoção, nos despimos de “pré-conceitos”.
Nossa habilitação em Canoas durou 9 meses, sim exatos 9 meses.
Nosso perfil era 2 crianças, devido a nossa idade, a criança poderia ter no máximo 10 anos, logo nosso perfil era de 2 a 9 anos sem gênero e cor definidos, e podíamos viajar para alguns estados.
Quando colocamos uma idade no papel da ficha de perfil, não vemos rostos, crianças... eu vi quando visitei os abrigos e justamente pela nossa crença espirita, sabia que não seria o papel ou meu desejo de ver a primeira silaba ser pronunciada por um filho ou pelo meu desejo de leva-lo ao primeiro dia de aula que impediria que ele me encontrasse nesta vida e por isso não colocamos restrições ao perfil, exceto deficiência física e doenças não tratáveis, pois não temos estrutura física e financeira, para dar a melhor assistência.
Não ficamos uma semana na fila de adoção.
Nossa cegonha (Rosi) nos ligou no feriado de 1 de maio, dia do trabalhador e ela estava trabalhando no que ela mais ama...
Os meninos nos esperavam em MG.
Fomos ao encontro mais emocionante de nossas vidas em 29/05/14 não dormi o mês inteiro.
Como os meninos tinham 4 e 6 anos e já haviam sido devolvidos, precisaríamos ficar 15 dias para adaptar a convivência e traze-los com a guarda provisória.
Ficamos 15 dias em uma casa anexo ao abrigo, sorte que só havíamos comprado previamente nossas 4 passagens de volta e que financeiramente não poderia trazer mais dois filhos, pois digo para a assistente social do abrigo de MG ate hoje, que assim que meus outros dois filhos forem destituídos eu irei busca-los, um de 10 e outro de 12.
Vitor e Felipe nos encontraram no pátio do abrigo, Felipe lembra em detalhes do dia que nasceu... lembra que saiu mais cedo da escola porque a coordenadora disse que ele deveria conhecer alguém. Foi o melhor abraço que já ganhei.
No primeiro dia de convivência os meninos não sabiam que seriamos seus pais, mas eles no fundo sabiam e o Felipe já perguntou no primeiro dia: - Porque vcs não nos adotam?
Fomos nos conhecendo e nos permitindo que esse reencontro fosse o mais natural possivel
Quando chegaram em casa, na nossa casa, reviraram as gavetas da cozinha, meu guarda-roupa, as malas, passaram meu desodorante no cabelo deles, meus cremes, estavam explorando o novo mundo, a nova casa.
Eles têm as mesmas manias que eu e o Rafael tínhamos, fazem as mesmas birras que fazíamos quando tínhamos a idade deles, imitam o papai caminhando involuntariamente, mas são fisicamente diferentes, ainda bem, ia ser muito chato se fossemos iguais em tudo.
Vitor e Felipe são irmãos típicos... brigam entre eles, brincam, sem defendem, se ajudam e como se isso fosse preciso, se esforçam muito para nos agradar, percebemos nos detalhes, pois eles ainda estão aprendendo a demonstrar os sentimentos.
Logo no inicio perguntei ao Vitor que na época tinha 5 anos porque brigava tanto na escolinha, qual era o problema?
Ele disse que brigava, para que a professora nos ligasse e a gente fosse correndo buscar ele, porque ele queria ficar só com a gente...
Era a forma dele dizer que nos amava e sentia nossa falta.
Fomos feitos um para o outro, na medida exata."