O papel da escola para a criança adotada

Quando uma criança é adotada, sempre passa por um processo de acompanhamento e uma primeira fase deve ser o estreitamento do vínculo com os seus novos pais. Esta etapa não é igual em todas as crianças, nem vai durar o mesmo tempo, já que depende da idade do seu filho, das condições em que se deram a adoção e a história prévia tanto da criança como dos pais.
Mas, para que a incorporação da criança à escola seja feita com êxito, o seu filho deve ter um vínculo afetivo estável e seguro com a sua nova família, por isso você não deve se importar que a incorporação à escola se atrase. Ela passará ficará em segundo plano. Qual a razão? 
A escolarização da criança adotada
Pense que o seu filho vem de uma ruptura, um abandono, uma mudança que ele ainda não entende muita coisa. Tudo isso gera uma insegurança. Começa a confiar em você, que é a sua figura de referência, e de repente o deixa na escola por 5 horas sozinho, com pessoas que ele não conhece. Para uma criança, 5 horas é muito tempo e pode ser que tão pouco ele compreenda o que está fazendo nesse lugar. 
Todas essas inseguranças, vão bloquear sua capacidade de aprendizagem porque vai estar assustado e pensando mais em como vai sobreviver, do que vão tratar de ensinar ali. Evite que o seu filho viva a escolarização como um novo abandono trabalhando uma incorporação progressiva, uma vez que tenha claro que sempre você voltará para buscá-lo para levá-lo para casa e que a sua professora e o pessoal do centro educacional é gente da sua confiança. 
Não importa se o seu filho tem que repetir o ano ao começar na escola 
Outro elemento muito importante de frente com a escolarização é que a criança se incorpore ao ano acadêmico que corresponda às suas capacidades e não à sua idade cronológica. Uma criança que é dada para adoção, quase sempre vai apresentar algum tipo de atraso em sua maturidade em comparação com os seus companheiros devido a que a alimentação e os primeiros cuidados, desde a gravidez, não foram adequados. Se, estes primeiros cuidados e a primeira estimulação não tenham sido corretos, o seu filho não vai contar com uma boa base para que continue bem nas aulas e aprender bem os conteúdos. 
Em certas ocasiões, surgem problemas de aprendizagem cuja causa você desconhece e que é fácil disfarçar ou confundir com falta de atenção, interesse ou de esforço, o que vai gerar muita frustração nos pais e na própria criança que acabará rejeitando tudo o que se refere à escola. 
A comunicação entre pais adotivos e a escola da criança 
É importante falar com a escola e com os professores (sem dar muitos detalhes) da situação peculiar do seu filho para que levem em conta, porque muitas vezes não sabem como agir. Uma criança é adotada pode responder muito positivamente ao reconhecimento do seu esforço e das suas conquistas, mas apresenta uma grande impaciência ao castigo. 
Suas necessidades emocionais que estiveram tão descuidadas na primeira etapa fazem com que o vínculo afetivo que se estabelece com o tutor seja chave para que a criança se interesse em continuar as aulas e aprender, já que a sua baixa autoestima faz com que tenha medo de enfrentar novos desafios e que eles se transformem em novos fracassos.

Ana María Linares
Psicóloga especializada adoções
Colaboradora de Guiainfantil.com

Aplicativo sobre adoção

Agora temos um aplicativo gratuito que aborda o tema adoção de crianças/adolescentes.

Advogado fala sobre processo de adoção no Brasi

Em entrevista ao Heródoto Barbeiro, o advogado, Carlos Berlini, falou sobre os trâmites do processo de adoção no Brasil. Na visão do especialista, têm muitas coisas que são, realmente, necessárias e levam um tempo, mas acabam sendo confundidas com burocracias desnecessárias. 

Servidores da Justiça terão curso on-line sobre adoção e apadrinhamento

Os servidores do Poder Judiciário de todo país que trabalham com crianças em situação de acolhimento poderão receber treinamento pelo “Programa de formação para os núcleos de preparação para adoção e apadrinhamento afetivo”.
O projeto é da Organização Não-Governamental (ONG) Aconchego, em parceria com a Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente e o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e oferece curso gratuito à distância, em 80 horas, no período de 5 de abril a 31 de maio.
A iniciativa é para aprimorar os conceitos, as diretrizes e a metodologia sobre a preparação para adoção e apadrinhamento afetivo com orientações para a condução de grupos de preparação de adotantes, padrinhos, madrinhas, crianças e adolescentes cadastrados para adoção ou incluídos no Programa de Apadrinhamento Afetivo.
A psicóloga Maria da Penha Oliveira, coordenadora do programa de apadrinhamento afetivo da ONG Aconchego, disse que muitas comarcas de Justiça não fazem essa preparação de modo adequado ou de modo que promova a reflexão de desejos e da motivação, desmistificando mitos e preconceitos, trabalhando a criança idealizada, entre outros temas.
“Temos conhecimento de que algumas comarcas fazem apenas uma palestra informativa, que para nós pode resultar no maior de todos os males para a criança, que é sua devolução”, diz Penha.
Para Penha de Oliveira, a replicação da metodologia de formação em todo o Brasil possibilita que os profissionais falem a mesma linguagem nessa preparação. “É um fator importante, se pensarmos que, com o Cadastro Nacional da Adoção, os pretendentes podem adotar crianças de outra região que não a sua”, diz.
De acordo com dados do Cadastro Nacional de Crianças Acolhidas (CNCA), da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), estão acolhidas mais de 46 mil crianças com idade entre 0 e 17 anos. Dessas, conforme os dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), 7.201 estão para adoção e as demais em processo de destituição familiar ou em tentativa de reintegração.
Existem no Brasil 3.987 entidades acolhedoras credenciadas junto ao Judiciário.
Apadrinhamento afetivo – O apadrinhamento afetivo é um programa voltado para crianças e adolescentes que vivem em situação de acolhimento ou em famílias acolhedoras, no sentido de promover vínculos afetivos seguros e duradouros entre eles e pessoas da comunidade que se dispõem a ser padrinhos e madrinhas. O padrinho ou a madrinha se torna uma referência na vida da criança, mas não recebe a guarda, pois o guardião continua sendo a instituição de acolhimento. Os padrinhos podem visitar a criança e, mediante autorização e supervisão, realizar passeios e até mesmo viagens com as crianças.
Melhorias no cadastro – Ao assumir a Corregedoria Nacional de Justiça, o ministro João Otávio Noronha determinou que fosse realizado, por um grupo de trabalho, um levantamento das condições do sistema, identificação dos principais problemas e posterior reformulação do cadastro. Além do CNA, o grupo – instalado pela Portaria n. 36/2016 (http://www.cnj.jus.br/busca-atos-adm?documento=3226) – também vai avaliar possíveis mudanças relativas ao Cadastro Nacional de Adolescentes em Conflito com a Lei e propor melhorias. Ao longo do ano, a Corregedoria vai promover workshops em diversas regiões do Brasil com todo o sistema de Justiça para debater alterações no cadastro. 

Preciso saber...


Adotar é muito complicado?
Não, desde que o processo tenha início no fórum, a partir da inscrição no cadastro de pretendentes à adoção, evitando-se intermediários.



Adotar é demorado?
Não desde que os interessados estejam receptivos à adoção de crianças maiores, não só recém-nascidos, onde incide a preferência. ·



Custa caro adotar uma criança?
Não todo processo de adoção no Juizado da Infância e da Juventude é gratuito.



Como fica o registro da criança?
Toda criança tem que ser registrada no nome de seus genitores, mesmo quando se tratar de recém-nascida. Esta Certidão de Nascimento é que servirá para instruir o processo de adoção. Quando o processo é concluído, o Juiz expede dois mandados: um para cancelar o registro original e outro para fazer a inscrição do novo registro de nascimento, com todos os dados indicados pelos adotantes (nome completo da criança, nome dos pais, nome dos avós maternos e paternos), não acarretando distinção entre um registro de nascimento do filho adotivo e o registro do filho biológico. Após a adoção não poderá constar em nenhum documento da criança adotiva qualquer
observância sobre o fato.



Qualquer pessoa pode ter informações sobre os dados de um processo de adoção?
Não. Todo processo de adoção corre em Segredo de Justiça e somente os requerentes podem ter acesso às suas informações. Os genitores da criança não têm informações sobre os adotantes.



Pode-se registrar uma criança como filho sem recorrer ao Juizado da Infância e da Juventude? 
NÃO! É ILEGAL! Isto chama-se "adoção à brasileira" e é crime punível com pena de reclusão de 2 a 6 anos (art.242 do Código Penal). Esta situação, normalmente, envolve intermediários que também podem ser punidos conforme o artigo 237 do Estatuto da Criança e do Adolescente. O registro em cartório pode ser cancelado a qualquer momento, dando aos pais biológicos o direito de recorrer á Justiça para reaver o(a) filho(a). Registrar em cartório uma criança nascida de outra pessoas em seu próprio nome é ilegal. Na "adoção à brasileira" a história de vida e de origem da criança desaparece. E no futuro, isto pode gerar inquietação e problemas para o adotado.



Caso alguém que fez "adoção à brasileira" quiser reparar o seu erro?
Quem quiser regularizar a situação deve constituir um advogado e entrar com um processo no Juizado da Infância e da Juventude, na Comarca onde residem os pais biológicos da criança. Os pais biológicos serão ouvidos em audiência expressarem a sua concordância com a adoção.



É perigoso receber uma criança diretamente da mãe biológica ou de terceiros, sem a intervenção do Juizado da Infância e da Juventude, com a finalidade de criá-la?
Sim! É perigoso. Cuidado! Muitas vezes pessoas inescrupulosas, mais cedo ou mais tarde, usam desse artifício para extorquir e chantagear as pessoas que, de boa-fé, receberam a criança. Além disso, esta pessoa ou família pode vir a sofrer pressões, comprometendo seu bem-estar e até o desenvolvimento emocional da criança.



Funcionários de maternidade e hospitais podem entregar uma criança, cuja mãe não quer ou não pode criar, a pessoas que desejam adotar?
Não. É dever de qualquer cidadão comunicar, imediatamente, à Justiça da Infância e da Juventude ou ao Conselho Tutelar os casos de abandono ou doação de crianças e adolescentes que tiver conhecimento. Agir como intermediário nessa situação pode trazer muitos problemas, tanto a ele, como à criança e às pessoas que a acolheram.


Todas as crianças que vivem em abrigos podem ser adotadas?
Não a maioria das crianças abrigadas tem vínculos com a sua família, e é importante que esses vínculos sejam preservados. Apenas para aquelas crianças cujo retorno não é mais possível e após decisão judicial, é que poderá ser iniciado o processo de adoção.



Filhos adotivos dão mais problemas do que filhos biológicos? 
Não! Várias pesquisas e estudos mostram que os problemas de famílias adotivas e biológicas são os mesmos. No entanto, a preparação para maternidade/paternidade é recomendável a toda e qualquer pessoa.



Quando a criança deve saber que é adotada? 
A experiência mostra que o ideal é contar o mais cedo possível, de forma natural e que a criança possa entender. Toda pessoa tem o direito de conhecer a história de sua vida. Viver a adoção em segredo gera ansiedade, insegurança e falta de confiança na relação entre os pais e a criança. E sempre há o risco de qualquer pessoa falar sobre o assunto sem que a criança esteja preparada. A adoção deve ser entendida como um encontro entre os pais e a criança e que, a partir dele, tornam-se uma nova família.



Qual a diferença entre abandono e doação?
Abandonar uma criança é deixá-la à própria sorte, ou "esquecê-la" numa instituição, ou deixá-la com pessoas sem saber se estas têm condições de oferecer ambiente adequado ao seu desenvolvimento. Doar uma criança é abrir mão, no Juizado da Infância e da Juventude, do direito de pai/mãe, em benefício da criança, quando a pessoa não se sente capaz ou em condições de criá-la.

Rose conheceu os filhos em reportagem e adoção deu final feliz à história

http://www.campograndenews.com.br/lado-b/comportamento-23-08-2011-08/rose-conheceu-os-filhos-em-reportagem-e-adocao-deu-final-feliz-a-historia
"Picada" pelo mosquitinho da adoção, é esta a definição que se ouve quando se abraça a causa. Jornalista, Rose encontrou os filhos ao fazer uma reportagem em um abrigo, sete anos atrás, na cidade onde morava, em Três Lagoas. A adoção trouxe um final feliz não só a história da repórter, como deles, de família.
Colega de profissão, Rose já tinha 51 anos quando adentrou os portões da instituição de acolhimento "Poços de Jacó". A pauta era acompanhar jogadores sub20 da seleção brasileira que fariam uma partida beneficente, em prol do orfanato. 
Sem nunca ter pensado em filhos - biológicos ou não - , Rose teve o coração tocado quando o pequeno Lucas, à época com 4 anos disse: 'tia, me leva para a sua casa?' Foram três dias pensando, noites mal dormidas e aquela sensação de que a vida não seria completa se ela não se tornasse mãe.

Leia o restante da matéria clicando na imagem acima!

Abandono, adoção e anonimato: questões de moralidade materna suscitadas pelas propostas legais de “parto anônimo”

Claudia Fonseca
Doctora en Sociologia e Etnologia
PPG Antropologia Social, UFRGS

Resumo: Propomos neste artigo explorar questões de moralidade materna (abandono, aborto, adoção) suscitadas pelas leis do chamado “parto anônimo”. Seguimos uma linha teórica que recusa as noções naturalizadas de maternidade (ou paternidade), optando ao invés por colocar em destaque os processos políticos que produzem os variados discursos da moralidade materna. Assim, depois de uma primeira reflexão sobre a relação entre abandono e anonimato, passaremos a uma breve consideração sobre os debates em diferentes contextos nacionais (Estados Unidos, França, Brasil) que acompanharam as leis de parto anônimo. Veremos que, em quase todo lugar onde existe, o parto anônimo se justifica através de anedotas sobre bebês “abandonados no lixo”. Entretanto, tentaremos demonstrar como esta medida adquire significados diversos em função de contextos nacionais específicos, isto é, de configurações em que outras tecnologias de maternidade, tais como aborto e adoção, assumem contornos particulares. Subjacente a todo o debate, corre uma indagação sobre os direitos humanos: a saber, o papel do Estado no controle de informações que dizem respeito à filiação e à identidade pessoal.
Palavras-chave: parto, anonimato, adoção, maternidade, direitos humanos.

Leia o artigo: 
http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/SexualidadSaludySociedad/article/view/30/116